As terras onde hoje está localizada a Cidade de Jequié, começaram a ser desbravadas e percorridas por alguns bandeirantes mais ou menos no ano de 1718, destacando-se dentre eles o "Sertanista" Pantaleão Rodrigues e o "Bandeirante" João Gonçalves da Costa. Mais tarde, aproximadamente no ano de 1789, passou por essa região o inconfidente José de Sá Bitancourt, que estaria indo para Camamu, onde foi preso, levado para a Cidade do Rio de Janeiro, tendo sido julgado e, posteriormente, libertado. Tendo voltado no ano de 1808 para região onde se localiza o Município de Jequié, José de Sá Bitancourt adquiriu terras em mãos de Gonçalves da Costa e estabeleceu a "Fazenda Borda da Mata". (as terras de Jequié são formadas por caatingas e matas, encontrando-se esses dois tipos de clima e de terreno em várias partes do território jequieense).O sobrado da "Fazenda Borda da Mata" deve ter sido a primeira casa ou edificação construída nas terras de Jequié. Esse sobrado foi construído um pouco abaixo onde hoje se encontra a Fazenda Provisão. Ele residiu nesta fazenda até 1813, ano em que retornou para a Cidade de Caeté em Minas Gerais, sua terra natal.
Em 1832 o latifúndio "Borda da Mata" foi dividido entre os herdeiros do inconfidente José de Sá Bitancourt, ficando a "Fazenda Jequié" para Bitancourt e Câmara. Dois anos mais tarde a sede da Fazenda Jequié foi destruída por uma enchente, e uma nova sede foi construída, na confluência dos rios de Contas e rio Jequiezinho. A Fazenda Jequié passou a ser administrada por Felipe Nery de Souza, casado com D. Leonora Sá, uma filha de Bitancourt e Câmara. Era um tempo de muito difícil e de grande trabalho, mas que tinha recompensa certa. Em torno dessa sede começou a surgir o povoado que viria constituir-se mais tarde na futura Cidade de Jequié. Esse povoado tornou-se uma rota de tropeiros que faziam a ligação do sertão à mata, levando mantimentos e mercadorias produzidos para o consumo dos moradores daquela época. Entre 1870 e 1880, contando com o apoio de Joaquim Fernandes da Silva, que era genro de D. Leonora Sá, o povoado devolveu-se de tal forma, que foi elevado à categoria de Distrito de Maracás no ano de 1880.
Por volta de 1882, veio para o povoado de Jequié os italianos José Rotondano e o seu conterrêno José Niella, tendo eles instalado uma importante firma comercial em Jequié, denominada "Rotondano & Niella" , firma essa que ajudou em muito o desenvolvimento comercial de Jequié. Mais tarde vieram muitos outras famílias italianas, que também deram sua contribuição para o crescimento desta Cidade. Dentre outras, destacamos famílias de italianos: Grillo, Marota, Limongi, Scaldaferri, Grisi, Orrico, Carícchio, Ferraro, Bartilotti, Pignatiri, Limongi, Leto, Lamberti, Maimone, Colavolpe, Leone, Biondi, Scchitine, além de outras.
Vultos importantes daquela época. Além de José Rotondano e Vicente Grillo, que contribuíram para o desenvolvimento de Jequié, vale ressaltar o nome de Lindolfo Rocha um mineiro nascido da Cidade de Grão Mongol MG, que teve uma importante e indispensável participação nesse desenvolvimento, inclusive foi o principal mentor da lei que, no ano de 1897, viria emancipar Jequié de Maracás. Além disso, Lindolfo Rocha fez muitos mais pelo Município de Jequié, onde fundou a Sociedade Literária, ajudou bastante para acabar com o banditismo e a "jagunçada" que existia naquela época, tendo, ainda, contribuído em outros setores nesta Cidade, inclusive atuou como jornalista e foi também Juiz de Direito. No ano de 1894, foi empossada a primeira Junta Distrital de Jequié, que teve como presidente Antônio de Souza Brito Gondim. Valendo-se com a sua amizade com o Deputado Lélis Piedade, Lindolfo Rocha, conseguiu que o deputado apresentasse à Assembléia Legislativa do Estado da Bahia, o Projeto de Lei com vistas à emancipação de Jequié. A Lei recebeu o nº 180 e foi sancionada pelo Governador Luís Viana, em 10 de julho de 1897. Em 25 de outubro 1897, foi a posse do Conselho Municipal de Jequié, ficando essa data (25.101897) para a comemoração da Emancipação Política de Jequié. Em 13 de junho de 1910, Jequié foi elevada à categoria de Cidade, pela Lei nº 779, sancionada pelo governador Araújo Pinho. O primeiro Intendente de Jequié foi o Coronel Urbano Gondim. E o primeiro presidente do Conselho Municipal de Jequié foi Nestor Ribeiro.